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Tema do Trimestre: "ATOS DOS APOSTOLOS" Até aos confins da terra
Comentário do pastor Claudionor de andrade e Consultoria Teológica e Doutrinária do pastor Antonio Gilberto.
Material didático da CPAD-Casa Publicadora das Assembleias de Deus
Sumário:
Lição 01 - Atos - A Ação do Espirito Santo Atraves da Igreja
Lição 02 - A Ascenção de Cristo e a Promessa de sua Vinda
Lição 03 - O Derramamento do Espirito Santo no Pentecostes
Lição 04 - O Poder Irresistivel da Comunhão na Igreja
Lição 05 - Sinais e Maravilhas na Igreja
Lição 06 - A Importancia da Disciplina na Igreja
Lição 07 - Assistencia Social, Um Importante Negócio
Lição 08 - Quando a Igreja de Cristo é Perseguida
Lição 09 - A Conversão de Paulo
Lição 10 - O Evangelho Propaga-se entre os Gentios
Lição 11 - O Primeiro Concilio da Igreja de Cristo
Lição 12 - As Viagens Missionárias de Paulo
Lição 13 - Paulo Testifica de Cristo em Roma
LIÇÃO Nº 12 – AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO
As viagens missionárias de Paulo levaram o Evangelho ao Império Romano todo.
INTRODUÇÃO
- Estudaremos hoje as três viagens missionárias do apóstolo Paulo, descritas dos
capítulos 13 a 21, com um breve intervalo no capítulo 15 que cuidou do concílio de
Jerusalém, que foi convocado precisamente por causa deste trabalho missionário do
apóstolo dos gentios.
- Este grande trabalho do apóstolo Paulo foi decisivo para a expansão do cristianismo
entre os gentios e a consolidação da Igreja como um povo distinto tanto de judeus quanto
de gentios sobre a face da Terra.
I – A PREPARAÇÃO E CHAMADA DO MISSIONÁRIO PAULO
- Como já temos visto, o ministério do apóstolo Paulo começou ainda em Damasco,
pois, logo após sua conversão, o antigo perseguidor passou a pregar ousadamente naquela
cidade, mostrando a todos os judeus que Jesus era o Cristo (At.9:20). Notamos aqui que, a
exemplo dos demais discípulos, neste momento o apóstolo ainda não se desprendera do
judaísmo, pregando somente para judeus.
- Este ardor de Paulo mostra-nos claramente a presença do “primeiro amor” entre
aqueles que se convertem ao Senhor Jesus. O encontro com o Senhor Jesus, a atração
provocada pelo Espírito Santo que nos faz ir até o Senhor (Jo.12:32) é um aspecto que
caracteriza a transformação operada em o novo crente e se trata de um fator que não pode,
de modo algum, faltar na continuidade da vida do crente. Não é por outro motivo, aliás, que
o Senhor Jesus censurou a igreja em Éfeso precisamente pela perda deste “primeiro amor”
(Ap.2:4). Que todos nós possamos ser como Paulo que, tendo iniciado sua vida cristã com
este ardor, foi assim até o final, como testemunhou ao seu filho na fé Timóteo (II Tm.4:7).
Só quem agir desta maneira, será salvo (Mt.24:12,13)!
- Entretanto, como já lhe fora anunciado da parte do Senhor, o ministério de Paulo seria
marcado pelo sofrimento por causa do nome de Jesus (At.9:16) e, por isso, Paulo já sai
de Damasco alvo de perseguição e ameaçado de morte pelos judeus (At.9:23). Esta
experiência calou profundamente no coração e na mente do apóstolo, tanto que, ao
mencionar toda a sua trajetória, Paulo não irá esquecer de relatar este episódio em que teve
de sair dentro dum cesto pelo muro da cidade, a fim de despistar os judeus que guardavam
as portas de Damasco, tanto de dia quanto de noite para poderem tirar-lhe a vida
(At.9:24,25; II Co.11:32,33).
- Quando nos dispomos a trabalhar para o Senhor, depois de ter sido chamados e
escolhidos por Ele, saibamos que não estamos imunes às adversidades. Antes, pelo
contrário, tenhamos certeza de que passaremos por dificuldades e perseguições. Paulo ia
para Damasco com “carta branca” do sumo sacerdote para perseguir os crentes e saiu de lá
uma nova criatura, mas dentro dum cesto fugindo a uma guarda que buscava matá-lo e, de
dia e de noite, esperava sua passagem pelas portas de Damasco. Hoje não é diferente.
Todos quantos se dispuserem a obedecer a Cristo, deixarão o conforto de sua posição
social, de seus projetos de vida, da tranquilidade oferecida pelo mundo para passar por
situações difíceis de perseguição, mas o importante é que, assim como ocorreu com Paulo,
seremos vencedores ao final da carreira.
- Após esta fuga, Paulo foi até Jerusalém, onde, naturalmente, sua acolhida pela Igreja
teve grande resistência, que só foi vencida por causa da intervenção de Barnabé
(At.9:26,27). Como devem ter sido difíceis estes dias para o apóstolo. Ameaçado pelos
judeus e não acolhido pelos crentes. Mas, depois da acolhida por parte da Igreja, o apóstolo
passou a pregar o Evangelho, dirigindo-se aos chamados “judeus gregos” (At.9:29), ou seja,
os judeus da diáspora, os judeus nascidos fora da Palestina, como que a prenunciar o
ministério que teria em relação aos gentios, o que, aliás, já lhe fora revelado pelo Espírito
Santo em Damasco (At.9:15).
- Os “judeus gregos”, porém, resolveram matá-lo e, tamanho foi o perigo que passou a
correr o apóstolo que os irmãos acharam por bem que Paulo deveria ausentar-se de
Jerusalém, tendo-o, então, levado até Cesareia e, de lá, foi Paulo enviado para sua terra
natal, para Tarso, onde o Senhor iniciaria, com ele, um trabalho de preparação para a
sua obra missionária.
- Não deve ter sido fácil para o apóstolo retornar para Tarso. Seu ardor pelo Evangelho,
demonstrando pela sua intensa pregação, certamente o impelia e o impulsionava para
manter uma atividade na obra do Senhor, mas as circunstâncias adversas fizeram com que
os irmãos o aconselhassem a que “ficasse no azeite” durante algum tempo. Como é
importante que o ímpeto do primeiro amor, necessário e que jamais pode faltar, seja
devidamente orientado pelo Espírito Santo. Como é bom termos irmãos mais experientes
que possam orientar os neoconversos, os neófitos, para que eles amadureçam e, no tempo
certo, deem frutos ao Senhor.
- O justo deve dar o seu fruto na estação própria (Sl.1:3). Nos dias em que vivemos, onde o
imediatismo toma conta do “modus vivendi”, muitos têm destruído seus ministérios e, por
vezes, sua própria vida espiritual, porque não aguardam a “estação própria”. Paulo tinha
sido escolhido por Cristo para ser Seu vaso entre os gentios. Havia uma promessa divina,
mas o Paulo, humildemente, acolheu a orientação dos demais irmãos e partiu para Tarso.
Não quis ser um fruto amadurecido à força, de modo artificial, mas aguardou o tempo do
Senhor. Sejamos assim, também, amados irmãos!
- De retorno a Tarso, Paulo ali não ficou. Dizem as Escrituras que partiu para a
Arábia, como também retornou a Damasco (Gl.1:17), esteve quinze dias em Jerusalém
(Gl.1:18), bem como esteve em partes da Síria e da Cilícia (Gl.1:20), fazendo, porém, de
Tarso a sua “base”, já que ali estava a sua família. Além das pregações que continuava a
fazer, Paulo, nesta fase, teve mais tempo para refletir e meditar nas Escrituras Sagradas,
tendo sido, em o nosso modesto entendimento, neste período em que o apóstolo alicerçou a
sua fé, que teve a correta compreensão do significado de servir a Deus e de crer em Jesus
como único e suficiente Senhor e Salvador, retomando, assim, em Tarso, a sua rotina de
estudos, só que agora não só de filosofia e de direito, mas das Escrituras à luz de todo o
conhecimento que havia adquirido ao longo dos anos.
- Foi lá que Barnabé o encontrou, levando-o para Antioquia (At.11:25), onde se inicia a
segunda fase do ministério de Paulo, a de ensinador da Palavra de Deus (At.11:26), quando,
então, Paulo aplica e ensina tudo aquilo que havia meditado, refletido e aprendido do
Senhor. Isto nos mostra, portanto, que a grandeza do ministério de Paulo não se deu num
passe de mágica e, embora tivesse a indispensável inspiração do Espírito Santo, foi fruto de
uma preparação árdua e que exigiu muito esforço do apóstolo, ainda que tivesse sido
chamado desde o ventre de sua mãe (Gl.1:15), o que põe por terra os argumentos dos
preguiçosos dos nossos dias que, por terem chamada divina, acham que basta abrirem a
boca que o Senhor os encherá. Não é isto que nos mostra a vida de Paulo…
- Em Antioquia, porém, viria a chamada que já havia sido prometida desde a conversão do
apóstolo. O próprio Espírito Santo chama Paulo e Barnabé e determina a sua
separação para a missão (At.13:2). Era a confirmação para a igreja da promessa feita a
Paulo. O nosso Deus não é Deus de confusão e, portanto, se alguém recebeu promessa de
Deus para a obra missionária ou qualquer outra tarefa, não se precipite, pois o Senhor sabe
o momento e a hora certos e não é homem para que minta nem filho do homem para que se
arrependa (Nm.23:19). De modo inquestionável, depois de mais de um ano de árduo e
esforçado trabalho na área do ensino, Deus confirmou a chamada de Paulo e de Barnabé e
determinou que fossem enviados à missão. Aparecia a terceira fase do ministério de Paulo,
a de missionário, a de fundador de igrejas locais, a de desbravador do evangelho entre os
gentios, trabalho que gerou, entre tantos resultados, o da salvação de todos os descendentes
de europeus até a presente data.
- Neste sentido, aliás, é que entendemos serem Paulo e Barnabé chamados de apóstolos
em At.14:14, i.e., enviados, comissionados pelo Senhor para a realização de um trabalho
desbravador de evangelização, o que hoje, comumente, chamamos de “missionários”.
“…A palavra apóstolo significa ‘enviado’, ‘delegado’, uma pessoa que está devidamente
autorizada por outra que a enviou para realizar missão que lhe foi confiada. Essa palavra no
latim é ‘missionário’ e significa, igualmente, uma pessoa que foi incumbida e enviada por
outra para realizar uma missão especial. No Novo Testamento usa-se esse termo para
pessoas que estão dedicadas ao trabalho de pioneirismo. O significado é ilustrado da melhor
maneira possível no trabalho pioneiro de um missionário em um novo campo…”
(VINGREN, Ivar. Diário do pioneiro Gunnar Vingren. 5.ed., p.12).
- A primeira viagem missionária é resultado de uma explícita ordem do Espírito Santo
à igreja em Antioquia. Paulo e Barnabé foram separados para a obra para a qual o Senhor
os havia chamado. Não é possível que uma igreja local envie um missionário se não houver
uma determinação do Espírito Santo. Aprendamos isto!
- Quando alguém é chamado pelo Senhor para que seja enviado como missionário pela
igreja local, esta chamada torna-se conhecida e é confirmada a toda a igreja local. Temos
um só Espírito, que nos liga pelo vínculo da paz (Ef.4:3,4) e, portanto, é algo que não é
passível de ser objeto de confusão ou de dúvida por parte da Igreja. Há, pois, uma
responsabilidade de todos para com o trabalho deste missionário, não apenas da liderança.
O Espírito Santo falou a todos em Antioquia, tendo cabido aos líderes tal somente a
imposição das mãos (At.13:3).
- Nos dias hodiernos, não se tem dado valor a este dado fundamental para que se envie um
missionário: precisa haver determinação do Espírito Santo. Cessemos de agir, nesta
matéria, com favoritismos, simpatias e ajamos pela orientação do Espírito de Deus. A
viagem missionária foi exitosa porque se iniciou porque Paulo e Barnabé foram “enviados
pelo Espírito Santo” (At.13:4).
OBS: De igual modo, em conversa com um experimentado secretário de missões de uma grande igreja, soubemos,
estarrecidos, que não são poucas as igrejas locais que, tendo enviado missionários, depois de certo tempo, desamparamnos
no campo. Não nos esqueçamos de que deixar de atender ao missionário no campo é, simplesmente, desobedecer à
ordem do Espírito Santo que o enviou e quem assim procede não ficará impune diante de Deus. Tenhamos cuidado!
II – A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA: EVANGELIZANDO A ÁSIA MENOR
COMO AUXILIAR DE BARNABÉ
- Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Paulo desceram a Selêucia, cidade que fora
construída para ser o porto de Antioquia (a “Selêucia da Síria” ou “Selêucia Piéria”) e dali
navegaram para Chipre, terra natal de Barnabé. É importante perceber que, nesta primeira
viagem, Paulo é como que um auxiliar de Barnabé. O Espírito Santo nomeou Barnabé e
depois Paulo (At.13:2). Barnabé havia sido o escolhido pelos apóstolos para ir até
Antioquia e era, praticamente, o pastor daquela igreja. Paulo era, então, seu cooperador, o
que explica a sua posição de coadjuvante nesta primeira viagem.
- Apesar de toda a preparação, Paulo foi posto pelo Espírito Santo, nesta primeira
viagem missionária, como auxiliar, como o segundo, a nos mostrar que a maturidade
espiritual vem no tempo de Deus. Paulo haveria, ainda, de fazer outras duas viagens
missionárias e o Senhor queria prepará-lo devidamente, junto àquele que havia sido posto
por Deus não só para que fosse aceito pela igreja em Jerusalém, mas também como
ensinador na igreja em Antioquia.
- Chegados a Salamina, porto situado no extremo leste de Chipre, Barnabé e Paulo foram
pregar o Evangelho nas sinagogas dos judeus e se faziam acompanhar de João Marcos,
sobrinho de Barnabé (At.13:5). De lá, partiram para Pafos, cidade onde ficava a sede do
governo romano de Chipre, também uma cidade portuária, situada no sudoeste de Chipre.
Ali encontraram um judeu mágico, falso profeta chamado Bar-Jesus, que fazia companhia
ao procônsul Sérgio Paulo, a máxima autoridade romana na ilha de Chipre.
- Sérgio Paulo, por ter contato com os judeus, tanto que se fazia acompanhar deste Bar-
Jesus, procurava ouvir a Palavra de Deus por meio de Barnabé e Paulo, mas o falso profeta
se opunha a concretização deste propósito, procurando apartar da fé o procônsul. Então
Paulo (que a partir de então, no texto sagrado, passa a ser assim chamado e não mais como
Saulo, como até então Lucas o chamava), cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele,
fez com que o falso profeta Bar-Jesus, também chamado de Elimas, ficasse cego por algum
tempo. Foi o primeiro sinal operado por Paulo que tem registro nas Escrituras, sinal que
teve como consequência a conversão do procônsul Sérgio Paulo, mais um gentio que se
convertia ao Senhor Jesus (At.13:6-12).
- Partindo de Pafos, Paulo e Barnabé foram para Perge, da Panfília, cidade costeira
situada no que é hoje o centro-sul da Turquia. Ali ocorreu a deserção de João Marcos que
deixou Barnabé e Paulo, voltando para Jerusalém (At.13:13). Marcos, ainda jovem, não
suportou o encargo do trabalho missionário e voltou para Jerusalém. Este episódio, mais
tarde, ocasionaria a separação de Paulo e de Barnabé antes do início da segunda viagem
missionária. Marcos se apartou de ambos por dois motivos: primeiro, não estava
devidamente preparado para a obra missionária; segundo, o chamado havia sido para
Barnabé e Paulo, não para Marcos, que estava ali na mesma situação de Ló quando
acompanhou a Abrão (Gn.12:4).
- O episódio de Marcos leva-nos, uma vez mais neste estudo, a refletirmos sobre a absoluta
necessidade de termos a direção e orientação do Espírito Santo ao realizarmos a obra do
Senhor. Apesar de jovem, Marcos não poderia ser considerado um neófito total, visto que
acompanhara o ministério terreno de Jesus (é ele o jovem mencionado em Mc.14:51,52).
Todavia, a obra de Deus não se faz por “tempo de serviço”, nem tampouco por
“parentesco” (Marcos era sobrinho de Barnabé – Cl.4:10), mas única e exclusivamente por
“chamada”. Lembremos disto!
- Após a deserção de Marcos, Paulo e Barnabé saíram de Perge e chegaram a Antioquia
da Pisídia, uma colônia e posto militar romanos, situada na rota comercial entre Éfeso e a
Cilícia (terra natal de Paulo), regiões que hoje fazem parte da Turquia. Em Antioquia da
Pisídia, havia uma influente colônia judaica.
- Como sempre faziam, iniciaram sua pregação em uma sinagoga, num dia de sábado,
ocasião em que Paulo, fazendo uso da palavra, pregou o Evangelho, mostrando que Jesus
era o Cristo. Vemos aqui, mais uma vez, que a mensagem que se deve pregar na obra do
Senhor é Cristo e Este crucificado (I Co.2:2). A repercussão da pregação foi tanta que os
gentios pediram que lhes fosse pregada a mesma mensagem no sábado seguinte (At.13:42),
tendo muitos judeus e prosélitos passado a seguir a Paulo e a Barnabé, que os exortava a
que permanecessem na graça de Deus, numa prova de que tinham estas pessoas se
convertido ao Senhor (At.13:43).
- No sábado seguinte, quando uma multidão se reuniu para ouvir Paulo e Barnabé, os
judeus que não haviam se convertido se encheram de inveja e, blasfemando, contradiziam
ao que Paulo dizia, mas tanto Paulo quanto Barnabé ousadamente disseram que, diante da
rejeição dos judeus, o Evangelho seria pregado aos gentios, mostrando terem consciência
de que o Evangelho tinha de ser pregado até os confins da terra, o que muito mais alegrou
os gentios que glorificavam a Palavra do Senhor, tendo havido conversões e divulgação da
Palavra do Senhor por toda aquela província (At.13:45-49).
- Os judeus, porém, usando de sua influência sobre as autoridades da cidade, conseguiram
levantar uma perseguição contra Paulo e Barnabé, lançando-os fora dos termos de
Antioquia da Pisídia. Paulo e Barnabé, ante a rejeição do Evangelho por parte daquelas
autoridades, repetiram o gesto que Jesus ensinara os Seus discípulos na evangelização da
Judeia (Mt.10:14), sacudindo o pó dos seus pés contra ela e partiram para Icônio, principal
cidade da Licaônia, na fronteira com a Frígia, também situada na região que hoje
corresponde à Turquia.
- Os episódios ocorridos em Antioquia da Pisídia foram muito importantes para Paulo e
Barnabé e trouxeram preciosas lições não só para eles mas também para toda a Igreja de
todos os tempos. Por primeiro, Paulo e Barnabé, embora tenham iniciado seu trabalho
junto aos judeus (até do ponto-de-vista estratégico dada a importância da comunidade
judaica naquela cidade), puderam experimentar a rejeição de Israel ao Messias, algo
que seria, posteriormente, bem explanado pelo próprio Paulo e que representa um desígnio
divino para a própria dispensação da graça (Rm.11:25). Conquanto a oportunidade de
salvação seja para todos os homens, estamos no período especialmente reservado para os
gentios.
- Por segundo, Paulo e Barnabé perceberam que sua tarefa era levar o Evangelho aos
gentios, até os confins da Terra. Seu envio pelo Espírito Santo era precisamente para que o
Evangelho alcançasse os confins da Terra, que é a missão determinada pelo Senhor a toda a
Igreja, em cada geração, como se vê de At.1:8. A razão de ser da Igreja é ser a luz de
salvação dos gentios até aos confins da Terra (At.13:47).
- Por terceiro, a evangelização é acompanhada de perseguição e, por vezes, a
perseguição aparentemente triunfa, lançando fora do lugar onde se pregou o Evangelho
aqueles que levaram a Palavra do Senhor. A influência política da comunidade judaica foi
forte o suficiente para lançar fora de Antioquia da Pisídia Paulo e Barnabé, que somente
testemunharam esta rejeição sacudindo contra eles o pó de seus pés.
- Por quarto, a perseguição não tem, porém, o condão de destruir a Igreja, pois “as
portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt.16:18). Embora Paulo e Barnabé tenham
sido expulsos de Antioquia da Pisídia, a igreja ali não foi destruída, tanto que, mesmo com
a expulsão dos missionários, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo
(At.13:52). Tanto a igreja em Antioquia da Pisídia não foi destruída que é mencionada em
At.14:21,22, onde, inclusive, foram escolhidos anciãos para governá-la.
- Por quinto, a perseguição não fica impune, cabendo a Deus a vingança contra aqueles
que se levantam contra a obra do Senhor. Ao sacudir o pó de seus pés contra eles, Paulo
e Barnabé cumpriam uma ordem de Cristo e este gesto é um testemunho da Igreja ao
Senhor com relação à rejeição da Palavra. Segundo o Senhor Jesus, quando se dá tal
testemunho está-se estabelecendo um juízo contra os que rejeitaram o Evangelho, pois,
“…haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade”
(Mt.10:15).
- Em termos de perseguição, amados irmãos, Deus age de duas maneiras: de imediato,
assim como se fez com Bar-Jesus ou Elimas em Pafos, opera sinal que revela o desagrado
do Senhor ou, então, no dia do juízo, como indicou ao dar Suas instruções aos discípulos
para a evangelização da Judeia durante Seu ministério terreno.
OBS: Isto ainda ocorre em nossos dias. Vejamos, por exemplo, este relato de Daniel Berg: “…Estava ele à sombra de
uma grande árvore, protegido do sol. Ele ainda estava lendo as primeiras linhas quando um galho da árvore caiu à sua
frente. Era um galho tão grande que até parece uma pequena árvore. Nós nos aproximamos rapidamente para verificar se o
galho atingira Vingren e o machucara, mas graças a Deus, por alguns centímetros, ele escapara. No galho cortado
verificamos as marcas características de corte de machado. O inimigo estivera em atividade, trabalhando contra a obra de
Deus, mas o Senhor mostrara mais uma vez o seu poder, poupando a vida de um de Seus servos. Quando olhamos para a
árvore, através da espessa folhagem, vimos um vulto e depois ouvimos o ruído de alguém que alcançava a terra firme
depois de haver pulado. O homem se afastou correndo e embrenhou-se na mata. Esse homem só parou de correr quando
estava vem longe. Olhou para trás e com a mão fechado fez um gesto que demonstrava o ódio que sentia pelo povo de
Deus. Aos gritos, ele desejou que uma fera devorasse os cristãos.(…)Alguns irmãos conheciam aquele homem. Ele era um
dos principais fazendeiros da região.(…). Já havíamos terminado o batismo, quando vimos um jovem correndo pela beira
do rio em nossa direção. Ao chegar, o rapaz contou, ainda respirando com muita dificuldade, que vira uma onça ali perto
arrastando algo muito grande na boca. Ele não sabia se era um animal ou uma pessoa.(…). Diante de nossos olhos
apareceu um trecho de terra cavada. Alguém estivera cavando um buraco ali, mas parece que fora interrompido
bruscamente. Ao lado daquele buraco estava o pé de um homem, e mais adiante um chapéu de palha. No chapéu, havia
marcas de sangue.(…). Aquele pé e o chapéu de palha eram do fazendeiro(…) o fazendeiro cavando aquele buraco
enquanto praguejava e amaldiçoava os crentes (…) Naquele momento ninguém foi capaz de articular qualquer palavra.
Ficamos em silêncio durante algum tempo. Todos estavam abalados diante daquele trágico acontecimento. Até nossos
inimigos ficaram aterrorizados com o que viram.(…). Compreenderam como é perigoso combater a obra de Deus…”
(BERG, Daniel. Enviado por Deus. 9.ed., p.202).
- Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga dos judeus e pregaram o
Evangelho, tendo havido a conversão tanto de judeus quanto de gentios, numa grande
multidão. Também os judeus incrédulos incitaram os ânimos dos gentios contra os dois
missionários que, entretanto, falaram ousadamente acerca do Senhor, sendo, então,
confirmada a Palavra com sinais e prodígios, levando a cidade a uma divisão entre os que
eram favoráveis a Paulo e Barnabé e os que lhes eram contrários. A divisão deu ocasião
para que houvesse um motim, tendo os judeus e os gentios resolvido insultar e apedrejar os
missionários que, sabendo disto, fugiram para Listra e Derbe, também cidades da Licaônia,
onde pregaram o Evangelho (At.14:1-6).
- Paulo e Barnabé pregavam o Evangelho completo, mostrando que Jesus salva e cura.
Os sinais e prodígios realizados foram importantes para que se criasse um ambiente
favorável aos apóstolos em Icônio e, em Listra, foi a cura de um coxo desde o ventre de sua
mãe, que nunca havia andado, que abriu as portas para a conversão de almas. Paulo foi
orientado pelo Espírito Santo, tanto que viu que aquele coxo tinha fé para ser curado
(At.14:8-10).
- A realização de sinais e maravilhas sempre acompanha a pregação do Evangelho.
Não podemos inverter a ordem bíblica: Jesus salva, Jesus cura. Muitos, na atualidade,
embebidos pela espiritualidade esotérica capitaneada péla Nova Era, que gera uma
mentalidade mística, estão se deixando levar pelo misticismo, falando apenas de curas,
sinais e maravilhas, sem atentar para a salvação do homem, o maior milagre que pode
existir. Tomemos cuidado para não inverter as prioridades.
- Entretanto, a passagem de Paulo e de Barnabé pela Licaônia ensina-nos claramente que a
presença de sinais e prodígios é um fator que o Senhor dá aos Seus servos para resistir à
oposição do inimigo. Em Icônio, foram os sinais e prodígios que permitiram criar um
“partido favorável aos apóstolos”. Em Listra, foi um sinal que fez com que houvesse
conversões. Pregação do Evangelho sem sinais e maravilhas mostra-se ineficaz, algo
inconcebível para quem é revestido de poder.
- A cura do coxo fez com que as multidões achassem que Paulo e Barnabé fossem deuses,
tendo, então, resolvido fazer sacrifícios em sua honra. Paulo era chamado de Mercúrio,
porque era o pregador (Mercúrio era o deus mensageiro) e Barnabé, de Júpiter, porque era o
“chefe” (mais uma demonstração de que Paulo atuava como auxiliar nesta primeira viagem
missionária).
- Temos aqui outra lição a respeito da obra do Senhor. Quando o inimigo não consegue
com a perseguição o seu propósito, ele atua com outra poderosa arma: a incitação da
vaidade humana. O sacerdote de Júpiter trouxe para a porta da cidade touros e grinaldas
para sacrificar a Paulo e a Barnabé. Entretanto, ambos rasgaram seus vestidos e saltaram
para o meio da multidão, negando que fossem deuses e anunciando o Evangelho, tendo,
com dificuldade, conseguido impedir que os sacrifícios fossem realizados (At.14:11-18).
- Quantos, na atualidade, não deixam que os sacrifícios se realizem? Quantos não se
corrompem porque tomam para si uma glória que deveria ser única e exclusiva do Senhor
Jesus? Quantos que não trocam a presença de Deus em suas vidas pelo louvor das
multidões ao seu redor?
- O mesmo povo que queria sacrificar a Paulo e a Barnabé, pouco depois, influenciados por
judeus de Antioquia da Pisídia e de Icônio, apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da
cidade, cuidando que estava morto, tendo sido rodeado pelos discípulos. Paulo levantou-se,
entrou na cidade e, no dia seguinte, juntamente com Barnabé, foi para Derbe (At.14:19,20).
- O episódio mostra-nos que o homem de Deus não deve se preocupar com a
popularidade, como muitos fazem atualmente. O mesmo povo que endeusava, agora quis
matar. Assim como aconteceu com o Senhor Jesus que, aclamado como Messias num
domingo, foi crucificado na sexta-feira pela mesma multidão. Não podemos confiar no
povo, na multidão, mas, sim, temos de confiar em Deus, o único que não muda nem tem
sombra de variação (Ml.3:6; Tg.1:17). Aleluia!
- Em Derbe, pregaram o Evangelho e feito muitos discípulos, voltando, então, para Listra,
Icônio e Antioquia da Pisídia, onde elegeram anciãos, de comum acordo com os crentes,
para cada igreja, retornando a Panfília e, depois de terem pregado a Palavra em Perge,
desceram a Atália, outro porto de Chipre, onde navegaram e voltaram para Antioquia,
donde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido,
terminando, assim, a primeira viagem missionária.
- Em Antioquia, Paulo e Barnabé reuniram a igreja e relataram quão grandes coisas Deus
fizera por eles e como abrira aos gentios a porta da fé, ficando ali não pouco tempo com os
discípulos (At.14:27,28).
- Temos, então, outra preciosa lição nesta primeira viagem missionária de Paulo: os
missionários têm de prestar contas de seu trabalho para a igreja que o enviou,
devendo retornar a ela para tal prestação de contas. Trata-se de um dever moral e
espiritual do obreiro, a fim de que a obra de Deus se complete, com o aumento da fé dos
crentes da igreja que enviou o missionário.
- Além disso, o retorno do missionário para a igreja que o enviou tem uma grande
importância para o próprio obreiro, que também renova suas forças junto àqueles com
quem convivera antes de ser mandado para o campo missionário, um “reabastecimento
espiritual” que muito propiciará a continuidade de seu ministério.
III – A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA: EVANGELIZANDO A EUROPA COMO
MISSIONÁRIO PRINCIPAL
- Entre a primeira e a segunda viagem missionária, tivemos o concílio de Jerusalém,
convocado, como visto na lição anterior, precisamente para se tratar da questão a respeito
da observância, ou não, da lei de Moisés por parte dos gentios que haviam se convertido,
boa parte deles como resultado da primeira viagem missionária.
- Resolvida a questão, Judas e Silas foram enviados para Antioquia, a fim de dar notícia do
que havia sido decidido no concílio de Jerusalém, detendo-se ali por algum tempo. Silas,
porém, não regressou para Jerusalém, permanecendo em Antioquia. Isto já era desígnio de
Deus, pois Silas passaria a ser o companheiro de Paulo na segunda viagem missionária
(At.15:30-34).
- Após algum tempo em Antioquia, Paulo e Barnabé resolveram retornar ao campo
missionário, para ver como estavam os irmãos nas igrejas que haviam sido abertas na Ásia
Menor, mas, como Barnabé queria levar consigo a seu sobrinho, João Marcos, que havia
outrora desertado do grupo, houve contenda entre os dois apóstolos, tendo, em razão
disto, cada um partido para um lado: Barnabé tomou Marcos e navegou para Chipre,
enquanto que Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça
de Deus, confirmou as igrejas da Síria e da Cilícia (At.15:36-41).
- Esta separação entre Paulo e Barnabé é mais uma demonstração de que a igreja primitiva
não era perfeita, como alguns equivocadamente acham. Não pode haver contenda entre
irmãos e, muito menos, uma contenda irreconciliável. Todavia, foi o que ocorreu, porque
Paulo e Barnabé eram humanos e sujeitos a erros.
- Barnabé, a partir deste episódio, deixa de ser citado no texto sagrado, tendo retornado a
Chipre, sua terra natal, levando consigo a Marcos, caindo no anonimato que caracterizaria
os demais apóstolos do Senhor Jesus. Parece que, por causa da defesa de seu sobrinho,
abriu mão da obra do Senhor, o que não é bom. Muitos também encerram seus ministérios
quando resolvem deixar o parentesco ou a amizade falarem mais alto que o chamado do
Senhor. Sua ida para Chipre, o texto nos dá a entender, deu-se em caráter privado, pois não
foi “encomendado à graça de Deus” pela igreja de Antioquia.
- Paulo, também, não agiu bem. Não ofereceu oportunidade a Marcos por causa de sua
anterior deserção, esquecendo-se de que as coisas que ficam para trás devem ser
esquecidas, como também que Marcos pudera ter amadurecido desde então. No final de sua
vida, Paulo reconheceria este erro, ao admitir que Marcos passara a ser muito útil no seu
ministério (II Tm.4:11).
- Paulo, no entanto, realizou a viagem com a devida “encomenda à graça de Deus”, sendo,
pois, um missionário enviado pela igreja de Antioquia. Agora não era mais o auxiliar, mas
o “comandante” da equipe, que era integrada também por Silas.
- Após ter passado pelas igrejas que havia aberto na primeira viagem missionária, Paulo
chegou a Listra, onde se encontrou com Timóteo, filha de uma judia crente e de um pai
grego, do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e em Icônio e que,
por isso, foi convidado por Paulo a fazer parte do grupo, tendo, porém, Paulo circuncidado
a Timóteo, já que, legalmente, ele era judeu (At.16:1-4).
- A circuncisão de Timóteo causa alguma celeuma entre os leitores das Escrituras. Como
Paulo circuncidou Timóteo depois de tudo o que se decidira no concílio de Jerusalém? Não
estaria sendo ele contraditório? Seria ele ainda um observador da lei, como, aliás, defendem
alguns judaizantes até hoje, mostrando que Paulo era um observador da lei e que, portanto,
também devemos sê-lo?
- Timóteo era judeu. Embora seu pai fosse grego, sua mãe era judia e, pela lei judaica, a
nacionalidade judia vem pela mãe, não pelo pai. “…A lei judaica só considera a criança
judia se a mãe for judia. Se não, independentemente da religião do pai, a criança não será
judia. Esta regra foi estabelecida em parte porque pode-se ter certeza de quem dá à luz uma
criança, enquanto que a paternidade é às vezes questionável…” (KOLATCH, Alfred J.
Trad. de Dagoberto Mensch. Livro judaico dos porquês, p.16). Sendo assim, diante das
dificuldades existentes entre os judeus na pregação do Evangelho, Timóteo sempre seria
um motivo de escândalo para os judeus, um “judeu incircunciso”. Assim, nada mais natural
que Timóteo se circuncidasse, não para sua salvação, mas tão somente para que não fosse
um motivo de perturbação na obra missionária.
- Com este gesto, Paulo dá-nos uma preciosa lição a respeito da relação entre a
pregação do Evangelho e a cultura. Jamais o missionário deve afrontar a cultura onde
está a pregar a Palavra de Deus se este dado cultural não for contrário ao Evangelho.
Devemos evitar ser motivo de escândalo tanto para judeus quanto para gentios (I Co.10:32).
Lamentavelmente, muitos missionários têm fracassado ou criado imensas dificuldades em
seu ministério por não seguirem este precioso ensino que nos dá Paulo a respeito da
compatibilização necessária entre a cultura e a pregação do Evangelho.
- Além do mais, Timóteo era judeu e sua circuncisão não violava o que se decidira no
concílio de Jerusalém que tratara única e exclusivamente da questão da observância da lei
de Moisés pelos gentios que haviam se convertido e, portanto, nada tinha que ver com a
situação de Timóteo, um judeu. Tanto é assim que, enquanto passava pelas igrejas, Paulo
entregava aos crentes as resoluções do concílio de Jerusalém para que fossem observadas.
Como entregaria resoluções que ele mesmo teria descumprido numa daquelas igrejas?
Evidente que tudo não passa de pretexto para que os judaizantes tentem, como faziam
naquela época, perturbar a nossa fé em Cristo Jesus.
- Após ter passado pelas igrejas, Paulo quis pregar o Evangelho na Ásia, seguindo a direção
rumo ao oriente que havia sido tomada na primeira viagem missionária, mas o Espírito
Santo o impediu de tomar este rumo. Paulo, então, foi para a Mísia, região entre a Ásia e a
Europa, ou seja, no sentido ocidental (contrário ao que queria ter rumado antes do
impedimento do Espírito Santo), com intenção de ir para a Bitínia, uma outra província da
Ásia Menor, mas também o Espírito Santo não permitiu que o fizessem.
- Saíram da Mísia e foram para Troas ou Trôade, cidade situada nas costas do mar Egeu, na
parte ocidental da Ásia Menor, ocasião em que Paulo teve um sonho em que um varão
macedônio lhe aparecia e lhe pedia ajuda. Paulo, entendendo que o Senhor o queria na
Macedônia, foi para Filipos, colônia romana naquela província, iniciando ali a pregação do
Evangelho na Europa (At.16:6-12).
- Notamos como a obra de Deus tem de ser dirigida pelo Espírito Santo. Paulo não
iniciou seu trabalho enquanto o Senhor não determinou o local. Que bom seria que todos
nós fôssemos obedientes e sensíveis ao Espírito Santo assim como foi Paulo. Não foi fácil
para o apóstolo ficar andando de um lado para outro, esperando a manifestação da vontade
do Senhor, mas ele esperou pacientemente e, no tempo certo, o Senhor com ele falou.
- O Senhor falou com Paulo em sonho, numa clara demonstração que, ainda hoje, Deus
também fala por sonhos, não tendo qualquer sentido o ensinamento de que, nos dias da
dispensação da graça, Deus não fala mais por sonhos. Esta é uma forma pela qual Deus
ainda fala, como podemos ver, por exemplo, nos registros das memórias dos pioneiros das
Assembleias de Deus, irmãos Daniel Berg e Gunnar Vingren, aos quais o Senhor orientou e
dirigiu mais de uma vez por sonhos.
- Em Filipos, Paulo e seus companheiros (Lucas também integrava esta equipe, pois
estamos diante de uma das “seções nós” do livro de Atos) foram buscar lugar para oração
na beira do rio, pregaram o Evangelho a umas mulheres que lá estavam, ocasião em que se
converteu Lídia e sua casa, a primeira pessoa a se converter na Europa, uma mulher, numa
clara demonstração de que, ao contrário do que se diz por aí, o Evangelho não é machista,
tampouco o apóstolo Paulo (At.16:13-15).
- A partir da conversão de Lídia e de sua casa, Paulo passou a se hospedar na casa de Lídia,
pregando o Evangelho, bem como passando a ser seguido por uma jovem que tinha espírito
de adivinhação e que começou a propagar a todos que Paulo e seus companheiros eram
“servos do Deus Altíssimo” e “anunciavam o caminho da salvação” (At.16:16,17).
- Este “marketing satânico” é outra arma do inimigo para tentar impedir a obra de
Deus. Paulo ficou perturbado com aquilo e acabou por expulsar o demônio daquela jovem,
o que acabou lhe rendendo a prisão. Assim como aprendera em Listra, Paulo não se deixou
seduzir pela vaidade e acabou sendo açoitado e preso impiedosamente por ter expulsado o
demônio da jovem.
- Muitos, hoje em dia, porém, ao serem cortejados pelo “marketing satânico”, presente
notadamente na mídia que, como se sabe, está praticamente toda nas mãos do inimigo de
nossas almas, preferem crescer às custas da “propaganda endemoninhada”, em vez de
expulsar os demônios, mesmo que isto os leve à prisão e ao sofrimento. Vamos resistir ao
diabo ou fraquejaremos como estes “popstars gospel”?
- Paulo foi preso, açoitado e atirado no cárcere interior, com os pés seguros no tronco. Mas,
à meia-noite, ele e Silas, que também sofrera as mesmas agruras, começaram a louvar a
Deus e, diante destes corações contritos, o Senhor não resistiu e mandou um terremoto, que
soltou não só a Paulo e Silas mas a todos os presos que não fugiram, apesar de soltos. Paulo
pôde impedir o suicídio do carcereiro e lhe pregou o Evangelho, sendo, então, levado para a
casa do carcereiro, onde toda sua família se converteu e Paulo foi tratado de suas feridas.
- No dia seguinte, quando se soube que Paulo era romano, as autoridades filipenses
mandaram soltá-lo às escondidas, com o que Paulo não concordou, fazendo valer a sua
cidadania romana, motivo pelo qual as autoridades se retrataram diante dele, embora
tivessem pedido que ele deixasse a cidade, o que fez não antes de deixar a igreja ali
formada em ordem (At.16:19-40).
- Em Filipos, aprendemos com Paulo que devemos louvar ao Senhor mesmo nas
maiores adversidades, pois elas permitem que cumpramos o nosso ministério. A prisão de
Paulo e seu sofrimento foram necessários para que se tivesse o sinal do terremoto e a
conversão de muitos em razão disto.
- Em Filipos, também, aprendemos com Paulo a fazer valer os nossos direitos
enquanto cidadãos da Terra. Paulo não permitiu que sua soltura se fizesse sem a
necessária retratação das autoridades e esta posição de autoridade do apóstolo foi
importante porque a igreja em Filipos não sofreu, a partir de então, maiores retaliações,
tanto que foi importante base de sustento de todo o ministério de Paulo. Como se não
bastasse isso, Paulo demonstrou moderação ao exigir que fossem respeitados seus direitos,
mas também não afrontando as autoridades, deixando a cidade como lhe havia sido pedido.
Muitos, a pretexto de fazer valer seus direitos, desafiam as autoridades, resistem a elas
indevidamente, causando imensos males para a obra de Deus. Sejamos prudentes sem que,
para tanto, nos acovardemos.
- Partindo de Filipos, Paulo prosseguiu pregando na Macedônia, passando por Anfípolis e
Apolônia, chegando a Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus, tendo, como
sempre fazia, ido ali para pregar o Evangelho, disputando por três sábados com eles sobre
as Escrituras. Muitos se converteram, entre judeus, gregos religiosos e não poucas mulheres
principais (At.17:1-4).
- Como já havia ocorrido na primeira viagem, Paulo sofreu perseguição por parte de
“judeus desobedientes”, movidos de inveja, que promoveram tumulto tal na cidade, que
acabaram levando Jason e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, que, porém,
os soltaram. Diante desta situação, porém, Paulo e Silas foram enviados, de noite, para
Bereia. Em Bereia, os judeus foram mais nobres do que os tessalonicenses, tendo ouvido as
pregações de Paulo e conferido nas Escrituras se o que era pregado era real, tendo havido
muitas conversões. Os judeus de Tessalônica, porém, foram até Bereia, excitando as
multidões, tendo os irmãos, então, mandado Paulo para Atenas, ficando Silas e Timóteo em
Bereia (At.17:1-14).
- Em Atenas, Paulo mandou que Silas e Timóteo lhe viessem fazer companhia e, enquanto
os esperava, ficou muito afligido pela idolatria daquele povo e começou a pregar o
Evangelho, sendo levado para o Areópago, o máximo conselho dos sábios de Atenas, onde
fez uma pregação onde mostrou todo seu conhecimento filosófico e sua capacidade, dada
pelo Espírito Santo, de aplicar todo este conhecimento na pregação da Palavra de Deus. O
resultado foi a conversão de alguns areopagitas ao Senhor Jesus (At.17:14-34).
- Paulo, então, partiu de Atenas e foi para Corinto, onde ficou por um ano e seis meses.
Após este período, os judeus levaram Paulo à presença do procônsul da Acaia, Gálio, que,
entretanto, expulsou-os do tribunal, ao entender que Paulo nada havia feito que ofendesse a
lei romana. Não contentes, os judeus agarraram Sóstenes, principal da sinagoga e o feriram
diante do tribunal.
- Em Corinto, Paulo passou a receber a cooperação de Priscila e Áquila, que tinham saído
de Roma por causa da perseguição que o imperador Cláudio César havia infligido aos
judeus que ali habitavam. Priscila e Áquila acompanharam Paulo, chegando a Éfeso, onde
os deixou ali, prometendo voltar, se o Senhor quisesse, tendo, então, despedido deles e
chegado a Cesareia, onde subiu a Jerusalém e, depois, retornou a Antioquia, encerrando,
assim, a segunda viagem missionária (At.18).
IV – A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA: EVANGELIZANDO ÉFESO COM
MARAVILHAS EXTRAORDINÁRIAS
- Depois de ter prestado contas de sua segunda viagem missionária em Antioquia e
ficado algum tempo lá, Paulo, com os mesmos companheiros da segunda viagem,
partiu para a terceira viagem, passando sucessivamente pela província da Galácia e da
Frígia, confirmando a todos os discípulos (At.18:23).
- Paulo, então, regressou a Éfeso, achando ali alguns discípulos, uns doze varões, que
somente conheciam o batismo de João. Paulo, então, descobriu que eles nem conheciam
que houvesse o Espírito Santo e, diante disto, após tê-los batizado nas águas, impôs-lhes as
mãos sobre eles e eles foram batizados com o Espírito Santo, falando línguas e profetizando
(At.19:1-6).
- Neste início de terceira viagem, pois, vemos já um indício de que o apóstolo Paulo
atingiria o clímax da operação de Deus em sua vida. Logo ao chegar a Éfeso, o encontro
com estes discípulos e o fato de terem sido eles batizados com o Espírito Santo com a
imposição de mãos de Paulo, o que é pela primeira vez registrado por Lucas em Atos,
mostra claramente que Paulo se encontrava no mesmo patamar dos “apóstolos do
Cordeiro”. Como se não bastasse, é mais uma demonstração de que o batismo com o
Espírito Santo tem como sinal de sua evidência o falar em línguas estranhas.
- Também o início da obra missionária de Paulo em Éfeso começa com o revestimento de
poder dos discípulos que nem conhecimento tinham da existência do Espírito Santo, para
mostrar a extrema necessidade que se tinha da manifestação do poder de Deus naquela
cidade, que era um dos maiores centros idolátricos do mundo greco-romano, como também
das artes mágicas. Serve-nos isto de alerta para a extrema necessidade que também temos,
em nossos dias, do revestimento do poder de Deus, pois vivemos dias de intensificação das
forças malignas, neste período que antecede ao surgimento da besta. Temos nos disposto a
receber o Espírito Santo como aqueles varões efésios? Temos o mesmo poder e autoridade
de Paulo para que os crentes recebam o Espírito Santo?
- Durante três meses, Paulo, então, passou a pregar na sinagoga, disputando com os judeus
e os persuadindo acerca do reino de Deus, mas, ante a resistência de alguns deles, passou a
disputar, com os discípulos, todos os dias na escola de um certo Tirano, o que durou por
espaço de mais de dois anos, tempo suficiente para que todos os que habitavam na Ásia
ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos.
- A pregação de Paulo, durante estes dois anos, não consistiu apenas de palavras, mas, “
Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias, de sorte que até os lenços e
aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os
espíritos malignos saíam” (At.19:11,12).
- Como já tivemos ocasião de dissertar neste trimestre, em lição anterior, não podemos
fazer doutrina disto, mas é inegável que Paulo vivia um momento de apogeu espiritual
em Éfeso, o que era absolutamente necessário diante da intensa atividade satânica naquela
cidade.
- Além dos sinais feitos pelo apóstolo, o episódio envolvendo exorcistas judeus ambulantes,
que foram surrados por demônios que tentavam expulsar “em nome do Jesus a quem Paulo
prega”, fez com que caísse temor sobre os efésios, com o engrandecimento do nome de
Jesus, inclusive com a conversão de todos quantos se envolviam com artes mágicas
(At.19:13-19).
- Passados estes dois anos, Paulo sentiu em seu coração ir para Jerusalém, passando
pela Macedônia e pela Acaia, com desejo de ir para Roma onde pensava angariar recursos
para ir até a Espanha, a extremidade ocidental do Império Romano no continente europeu
(cfr. Rm.15:26-29).
- Paulo planejava, assim, como diz o provérbio popular, “matar dois coelhos com uma
cajadada só”. Iria a Jerusalém levando recursos para os pobres de Jerusalém e da Judeia, e,
de Jerusalém, iria para Roma onde, após conhecer aquela cidade e os crentes de lá, poderia
ser enviado por aquela igreja para a Espanha, que entendia ser a próxima fronteira para a
evangelização.
- Mandou, então, Timóteo e Erasto passar pela Macedônia para a coleta dos recursos
necessários para levar a Jerusalém, ficando em Éfeso. Neste meio tempo, surgiu um
alvoroço promovido pelos ourives de prato e de ouro contra os crentes, visto que temiam
pela ruína de seu negócio com o fim da idolatria. Findo o alvoroço, Paulo entendeu que
deveria ir para a Macedônia (At.19:23-20:1).
- Paulo, então, passou três meses na Grécia e, como havia ciladas dos judeus contra si,
resolveu voltar pela Macedônia, sendo acompanhado nesta viagem por Sópater, de Bereia;
Aristarco e Segundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe e Timóteo, sem falar em Tíquico e
Trófimo, da Ásia (At.20:4), que esperaram Paulo em Trôade. Vemos, pois, que Paulo, neste
momento de dificuldade e de necessidade de companhia, recebeu companheiros de todas as
igrejas e regiões pelas quais havia passado, uma retribuição pelos serviços que havia
prestado a todos aqueles irmãos durante todo aquele tempo. Paulo colhia ali o que havia
semeado ao longo dos anos.
- Que bom seria que todos os obreiros, no ocaso de seus ministérios ou nos momentos de
dificuldade, tivessem também esta gama de companheiros ao seu lado, companheiros que
tivessem amealhado ao longo da jornada. Certo é que, às vezes, em algumas provações,
como a de Jó, Deus permite que todos se afastem e que os que ainda ficam por perto seria
melhor que não o tivessem feito. Todavia, pela lei da semeadura, se plantarmos amor,
dedicação, carinho e companheirismo, nestes instantes macabros da vida, certamente
colheremos companheiros que retribuirão o que tivermos dado anteriormente. Pensemos
nisto enquanto é tempo!
- Da Grécia, Paulo foi para Filipos e, de lá, para Trôade, onde ficou por sete dias, tendo
se encontrado com aqueles companheiros. No primeiro dia da semana, todos se reuniram
em Trôade para “partir o pão”, ou seja, tratava-se de um culto da ceia do Senhor num
domingo, tendo, então, Paulo alargado a prática até a meia noite, ocasião em que Éutico
caiu do terceiro andar do cenáculo onde estavam reunidos, morrendo. Paulo foi, então, até
onde estava o jovem e o ressuscitou, continuando o culto que se estendeu até a alvorada.
Paulo, então, foi até Assôs por terra, enquanto que sua equipe foi por navio (At.20:5-13).
Assôs era um porto situado na Mísia, distante cer a de 48 km de Trôade.
OBS: Temos aqui mais uma evidência bíblica de que os cristãos, desde os tempos primitivos, reuniam-se aos domingos,
ao contrário do que defendem os sabatistas.
- Em Assôs, todos se reuniram e foram até Mitilene, capital da ilha de Lesbos, situada no
mar Egeu, de onde foram para Mileto, que fidcava a 58 km ao sul do Éfeso, no estuário do
rio Meandro, na costa do mar Egeu, tendo passando, no caminho por Quio, Samos (duas
ilhas do mar Egeu) e Trogílio (cidade situada na desembocadura do rio Meandro no mar
Egeu).
- Paulo não queria passar por Éfeso, pois estava determinado a chegar a Jerusalém até o
dia de Pentecostes. Por isso, mandou chamar os anciãos da igreja em Éfeso para que se
encontrassem com ele em Mileto, quando se despediu deles, dizendo, profeticamente, que
jamais os veria novamente, bem como que, dentre os anciãos daquela igreja, alguns se
tornariam lobos devoradores que não perdoariam ao rebanho, bem como homens que
falariam coisas perversas para atraírem discípulos após si. Tais profecias mostram-se ter se
cumprido quando lemos a carta que Jesus mandou João escrever aos efésios anos depois
(Ap.2:2).
- Nesta despedida, Paulo, além de admoestar os irmãos, traz um verdadeiro atestado de sua
idoneidade (At.20:18-21, 27, 31-35), algo que deve ser considerado por tantos quantos
queiram trabalhar na obra do Senhor.
- Paulo, em seu relatório aos irmãos de Éfeso, afirmou que manteve um mesmo porte
desde o primeiro dia que entrara na Ásia até aquele dia (At.20:18). A constância no
viver é uma característica indispensável para todos quantos servem ao Senhor. Precisamos
ostentar um bom testemunho, ter o mesmo porte. Afinal de contas, se somos seguidores de
Cristo Jesus, não podemos nos esquecer de que Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente
(Hb.13:8). Como é triste verificarmos que muitos, ao longo da jornada, mudam sua forma
de ser, modificam-se, deixando o “primeiro amor”. Que isto não nos aconteça, amados
irmãos!
- Mas, além de ostentar o mesmo testemunho, Paulo minudencia que testemunho era
aquele, que porte era este mantido desde o primeiro instante em que chegou a Ásia:
“servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações” (At.20:19).
- Paulo estivera todo aquele tempo servindo ao Senhor, muito diferente dos “apóstolos
hodiernos”, que querem apenas ser servidos pelos homens e se servir do Senhor para atingir
seus objetivos. Paulo era um servidor, verdadeiro seguidor de Cristo Jesus, que veio ao
mundo para servir e não para ser servido (Mc.10:45). Somente os servidores serão honrados
pelo Pai (Jo.12:26).
- Mas, além de servir ao Senhor, Paulo o fazia “com humildade”. Devemos ser submissos à
vontade de Deus, obedientes ao Senhor. Quem se humilha, será exaltado, mas os exaltados
serão humilhados (Lc.18:14).
- Ao contrário dos triunfalistas enganadores de nossos dias, Paulo também afirmou que,
durante todo o seu ministério na Ásia, seu serviço se deu “com lágrimas e tentações, que
pelas ciladas dos judeus me sobrevieram”. Paulo era um autêntico servo de Jesus Cristo e
os verdadeiros cristãos sofrem aflições neste mundo (Jo.16:33). Não é verdade que o salvo
está imune a quaisquer dificuldades, que baste “determinar” para ter uma vida sem
quaisquer adversidades. Basta olhar o pequeno retrospecto que o mesmo Paulo deu aos
coríntios para vermos quão ilusório é o discurso dos propagadores da “confissão positiva”,
que, infelizmente, têm dominado muitos de nossos púlpitos (II Co.11:23-28).
- Mas ainda há uma característica importantíssima que devemos, a exemplo de Paulo,
mostrar a todos quantos nos acompanham no serviço ao Senhor. O apóstolo disse que
“nada, que útil que seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas,
testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor
Jesus Cristo (…) porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus”
(At.20:20,21,27). Paulo pregava TODA a Palavra de Deus, não omitia ponto algum,
transmitiu aos efésios “todo o conselho de Deus”.
- Lamentavelmente, em nossos dias, poucos são os que podem repetir as palavras do
apóstolo, pois estão a fragmentar o Evangelho de Jesus Cristo. Sua mensagem era “a
conversão a Deus e a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo” e, dentro deste tema, não deixava
de falar tudo o que fosse útil. Onde, porém, está esta mensagem em nossos dias? Onde
estão aqueles que incitam os homens a se arrepender dos seus pecados, a deixar a vida
pecaminosa e a viver em santidade? Onde estão aqueles que nos levam a crer em Jesus, o
que significa fazer o que Ele manda e que se encontra registrado nas Escrituras Sagradas?
- Além deste testemunho público, a respeito do porte de Paulo em toda a Ásia, o apóstolo,
também, rememora aos anciãos da igreja em Éfeso a sua conduta na própria igreja,
trazendo a memória as seguintes atitudes que, por três anos, os efésios puderam presenciar
(At.20:31-35):
a) durante três anos não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de
vós – Paulo era um pastor que não se cansava de orientar e de aconselhar as suas ovelhas,
fazendo isto com sensibilidade e compaixão. Paulo não era preguiçoso, mas trabalhador,
tanto de dia como de noite atendendo as ovelhas. Temos sido assim?
b) encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça, a Ele que é poderoso para vos
edificar e dar herança entre todos os santificados – Paulo não queria ter domínio sobre os
anciãos de Éfeso, não era um “apóstolo” que dava “ordens”, “mensagens proféticas”,
“diretrizes para o ano”, muito menos o detentor da “unção” ao qual todos devem obedecer.
Pelo contrário, entregava os obreiros que haviam servido com ele aos cuidados do Senhor e
da Sua graça.
c) de ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido. – Paulo era um pastor, não
um mercenário. Não visava arrecadar os bens de suas ovelhas para si, não tinha nenhuma
intenção de formar um “império empresarial” nem de enriquecer, bem diferente dos
“apóstolos hodiernos”…
d) vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim e aos que estão comigo
estas mãos me serviram – Paulo não dependia dos irmãos de Éfeso para sobreviver.
Trabalhava para se sustentar a fim de não ser pesado aos irmãos da igreja. Não é errado
receber salário da igreja, mas se ela não pode sustentar o obreiro, não pode ele querer ficar
sem trabalhar.
e) trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do
Senhor Jesus, que disse: mais bem-aventurada coisa é dar do que receber – citando um
dito do Senhor que não está registrado nos Evangelhos, Paulo mostra que o pastor deve ser
um servidor e, principalmente, ajudar os enfermos, tanto materiais quanto espirituais. Hoje
em dia, porém, quantos há que nem sequer impõe suas mãos sobre os enfermos nas próprias
igrejas…
OBS: “… O veleiro atravessava as ondas mais fortes, e podíamos navegar mesmo com a água passando sobre o convés.
Nosso desejo era tirar o máximo de proveito para a obra do Senhor, isto é, multiplicar o talento que nos fora concedido e
ganhar outros talentos. O trabalho crescera tanto nas ilhas que nem mesmo com aquele barco veloz era possível atender a
todos os chamados. Dávamos prioridade aos enfermos. A fim de atendermos os casos mais sérios, combinamos que uma
bandeira vermelha seria erguida na margem do rio quando houvesse enfermos graves, ou desejassem batismo, ou ainda
outro assunto urgente. Caso não houvesse algo importante, colocariam a bandeira branca como sinal…’ (BERG, Daniel.
Enviado por Deus. 9.ed., p.192). Temos ainda este mesmo sentimento que Paulo tinha em Éfeso e Daniel Berg a bordo do
barco “Boas Novas” no Pará?
- Depois desta despedida, Paulo e seus companheiros foram até Cós, ilha que era parada de
navio de quem ia de Mileto para Rodes, e, no dia seguinte, a Rodes, outra ilha, de onde
passaram a Pátara, uma outra ilha, indo, então, para a Fenícia (atual Líbano), onde
desembarcaram em Tiro, ficando ali sete dias. Paulo, então, foi advertido por discípulos
para que não fosse a Jerusalém, tendo, então, ido a Ptolemaida, já na Palestina, onde
ficaram um dia, foram até Cesareia, onde se hospedaram na casa de Filipe, onde
demoraram muitos dias, ocasião em que o profeta Ágabo anunciou que Paulo seria preso
em Jerusalém. Os irmãos tornaram a pedir a Paulo que não fosse para lá, mas Paulo insistiu
no seu intento, dizendo, inclusive, que estava pronto a morrer em Jerusalém pelo nome do
Senhor, tendo, então, chegado a Jerusalém (At.21:1-15).
- É interessante notar que, nesta terceira viagem missionária, não há registro de que Paulo
tivesse sido encomendado pela igreja de Antioquia, a se entender que fez a viagem por
conta própria, sem ser enviado por aquela igreja local, motivo pelo qual não precisou
voltar lá para prestar contas.
- Em Jerusalém, Paulo iniciaria uma nova etapa em seu ministério, quando seria levado a
Roma para, então, como “apóstolo do Cordeiro”, ali testificar do Evangelho e morrer como
mártir. É o que veremos na próxima lição.
Comentario do Pastor Dr. Caramuru Afonso Francisco
Colaboraçao de seu companheiro na batalha espiritual Pr. Egberto Gomes
Colaboraçao de seu companheiro na batalha espiritual Pr. Egberto Gomes